Cirurgia refrativa
Lasik, PRK ou lente fácica: o que muda entre elas na prática
Não existe uma técnica melhor que a outra em abstrato. Existe a que cabe na sua córnea, no seu grau e no tempo de recuperação que a sua vida comporta.
Quem começa a pesquisar cirurgia refrativa esbarra rápido em uma sopa de siglas, e a impressão que sobra é a de que existe uma técnica moderna e outras antigas. Não é assim que a escolha acontece.
As três abordagens abaixo resolvem o mesmo problema por caminhos diferentes, e cada uma tem um tipo de olho para o qual é a mais adequada.
As duas famílias
Antes das siglas, uma divisão que organiza tudo:
- Cirurgias a laser remodelam a córnea, removendo uma camada fina de tecido para mudar como ela desvia a luz. Lasik e PRK estão aqui. Dependem de espessura de córnea.
- Cirurgias de implante colocam uma lente dentro do olho, sem mexer na córnea. A lente fácica está aqui. Não dependem de espessura de córnea.
Lasik
Cria-se uma lamela muito fina na superfície da córnea, que é levantada como uma tampa. O laser trabalha embaixo, e a lamela volta ao lugar no fim, sem pontos.
Como costuma ser a recuperação: o incômodo dura poucas horas, e a maioria já percebe melhora significativa da visão no dia seguinte. É a recuperação mais rápida das três.
Onde é indicada: córneas com espessura confortável para o grau a corrigir.
O que pesa contra: a lamela permanece como uma região de menor resistência mecânica na córnea. Para quem pratica luta, futebol, artes marciais ou trabalha com risco de trauma no rosto, isso costuma pesar na decisão. Também tende a mexer mais com a lubrificação nos primeiros meses.
PRK
Não se cria lamela. A camada mais superficial da córnea é removida, o laser trabalha direto na superfície, e essa camada se refaz sozinha ao longo de alguns dias, protegida por uma lente de contato terapêutica.
Como costuma ser a recuperação: mais desconfortável. Os três a cinco primeiros dias costumam ter ardência, lacrimejamento e sensibilidade à luz, e a visão leva mais tempo para estabilizar, às vezes semanas.
Onde é indicada: córneas mais finas, em que a lamela do Lasik consumiria espessura demais, e em quem tem risco de trauma no olho.
O que pesa a favor: não deixa lamela, o que significa não deixar uma região de menor resistência. Para muita gente esse ponto compensa a semana pior.
Lente fácica
Uma lente é implantada dentro do olho, e o cristalino natural continua no lugar. A córnea não é remodelada, então a espessura dela deixa de ser o fator limitante.
Onde é indicada: graus altos, sobretudo miopias altas, e olhos com córnea fina demais para o laser. É um caminho para quem ouviu que não era candidato à cirurgia a laser.
O que muda: é uma cirurgia intraocular, o que a coloca em outro patamar de procedimento em relação às de superfície. Exige avaliação cuidadosa do espaço interno do olho e acompanhamento ao longo do tempo.
| Lasik | PRK | Lente fácica | |
|---|---|---|---|
| Mexe na córnea | Sim, com lamela | Sim, na superfície | Não |
| Depende da espessura | Bastante | Menos | Não |
| Desconforto | Poucas horas | Alguns dias | Baixo |
| Visão estabiliza | Mais rápido | Mais devagar | Rápido |
| Esporte de contato | Pesa contra | Sem essa restrição | Sem essa restrição |
| Graus altos | Limitado | Limitado | É o forte dela |
O que decide, no fim
A escolha sai das medidas: espessura e formato da córnea, quanto grau precisa ser corrigido, como está a lubrificação e o que você faz da vida. Um jogador de futebol amador com córnea limítrofe e uma pessoa de escritório com córnea espessa dificilmente terminam na mesma indicação, mesmo com o mesmo grau.
Uma coisa que nenhuma técnica faz: impedir o grau de perto que chega depois dos 40. Isso é presbiopia, tem outra origem, e nenhuma cirurgia refrativa feita aos 25 anos evita.
O que perguntar na consulta
- Qual técnica é indicada para o meu caso, e por quê?
- Quanto de córnea sobra depois do procedimento?
- Quantos dias eu preciso reservar longe do trabalho?
- Qual a chance de eu precisar de retoque, no meu caso?
- Se eu não puder fazer a laser, qual seria a alternativa?
Antes de escolher técnica, no entanto, vem a pergunta anterior: você é candidato? Os critérios estão em as quatro coisas que decidem.
Perguntas frequentes
PRK é uma técnica antiga e ultrapassada?
Não. PRK continua sendo indicada em situações específicas, sobretudo em córneas mais finas e em pessoas com risco de trauma no olho, como quem pratica esporte de contato. A recuperação é mais desconfortável nos primeiros dias, e o resultado a médio prazo é comparável ao de outras técnicas de superfície.
Qual dói mais?
O desconforto costuma ser maior no PRK, concentrado nos três a cinco primeiros dias, enquanto a camada superficial da córnea se refaz. No Lasik o incômodo costuma ser de poucas horas. Vale lembrar que dor forte não é esperada em nenhuma das duas, e sempre merece contato com a equipe.
A lente fácica é a mesma da cirurgia de catarata?
Não. Na catarata o cristalino é retirado e substituído. Na lente fácica o cristalino permanece no lugar, e a lente é implantada além dele. Por isso ela é indicada em olhos jovens, com grau alto, que ainda têm foco natural preservado.
Existe risco de precisar de retoque?
Existe, em qualquer técnica, e a chance é maior em graus altos. Retoque é um novo procedimento e depende de haver tecido de córnea suficiente para ele. Essa possibilidade deve estar clara na conversa e no orçamento antes da cirurgia, não depois.
Este texto tem finalidade informativa e não substitui consulta, diagnóstico ou orientação médica individualizada. Sintoma em comum não significa causa em comum: só o exame diz o que está acontecendo no seu olho.