Pterígio
Pterígio em Brasília: por que sol, vento e ar seco deixam a queixa tão comum aqui
Altitude, céu limpo boa parte do ano e umidade de deserto na seca. É uma combinação que castiga a superfície do olho, e ela explica muita consulta.
Quem atende oftalmologia em Brasília percebe rápido: pterígio aparece muito. Não é impressão, e não é coincidência. A explicação está em três características do clima daqui que, somadas, castigam justamente a superfície do olho.
O que é pterígio, em uma frase
É um crescimento de tecido que parte da parte branca do olho em direção à córnea, a parte transparente no centro. Popularmente é a “carninha no olho”. Cresce devagar, ao longo de anos, e é benigno.
A queixa que traz a pessoa à consulta quase nunca é a aparência. É o incômodo: olho que arde, que fica vermelho com facilidade, que dá sensação de ter areia dentro mesmo depois de lavar. Colírio lubrificante alivia, e não faz o tecido regredir.
Por que o clima daqui favorece
Altitude e radiação ultravioleta
Brasília fica a mais de mil metros acima do nível do mar. Quanto maior a altitude, menos atmosfera a radiação atravessa até chegar ao chão, e maior a intensidade do ultravioleta. Some a isso um céu limpo durante boa parte do ano e a exposição acumulada fica bem acima da de quem vive no litoral em cidade nublada.
Radiação ultravioleta acumulada ao longo dos anos é o fator de risco mais consistente para o pterígio.
A seca
Entre maio e setembro a umidade relativa do ar cai a níveis comparáveis aos de regiões desérticas. O filme de lágrima que protege a superfície do olho evapora mais rápido, e a superfície fica exposta.
Olho ressecado inflama com mais facilidade, e inflamação crônica na superfície é justamente o ambiente em que o pterígio cresce.
O vento e a poeira
Vento carregando poeira faz duas coisas ao mesmo tempo: acelera a evaporação da lágrima e agride mecanicamente a superfície. Quem trabalha ao ar livre, dirige com a janela aberta ou pratica esporte na rua acumula isso todos os dias.
Nenhum desses fatores age em uma tarde. O pterígio é resultado de exposição acumulada em anos, e é por isso que quem trabalhou a vida inteira ao ar livre chega com quadros mais avançados.
Quem se expõe mais
- Quem trabalha ao ar livre: construção, agricultura, entrega, portaria externa, esporte
- Quem dirige muito, principalmente com o braço e o rosto na janela
- Quem não usa óculos de sol com proteção ultravioleta
- Quem já tem olho seco ou trabalha o dia inteiro em ar-condicionado
Uma observação sobre o ar-condicionado: ele não traz radiação, mas resseca. Passar o dia no escritório refrigerado e o fim de semana no sol é uma combinação que agride a superfície pelos dois lados.
O que reduz o risco, na prática
- Óculos de sol com proteção ultravioleta comprovada, de preferência com armação maior ou envolvente. Lente escura sem filtro é pior que nada.
- Boné ou chapéu de aba, que barra boa parte da radiação que vem de cima
- Lubrificante ocular na estação seca, sobretudo para quem trabalha exposto ou em ar-condicionado
- Óculos de proteção no trabalho, quando há poeira ou vento constante
Nada disso faz um pterígio existente regredir. Serve para reduzir o estímulo que faz ele crescer, e vale ainda mais para quem já operou.
Quando a cirurgia entra na conversa
Nem todo pterígio precisa ser operado, e ouvir “dá para acompanhar” é um desfecho legítimo. O que costuma pesar na decisão:
- Quanto já avançou sobre a córnea. Perto do eixo visual ele passa a afetar o grau e a nitidez.
- O sintoma no dia a dia. Ardência e vermelhidão constantes justificam operar mesmo sem grande avanço.
- A velocidade de crescimento. Um que avançou visivelmente em poucos meses recebe outra atenção.
- O astigmatismo que ele induz. Ao puxar a córnea, o pterígio distorce a curvatura e muda o grau.
Existe risco de recidiva, ele é real e é maior em quem é jovem e em quem segue muito exposto. Esse risco precisa estar na conversa antes da cirurgia, não depois.
O que não é pterígio
Mancha ou crescimento no olho não é tudo a mesma coisa. A pinguécula fica na parte branca e não invade a córnea. Existem ainda outras lesões da conjuntiva, algumas delas com conduta bem diferente.
Por isso a regra prática é curta: qualquer lesão que cresça rápido, mude de cor ou tenha aparência diferente do habitual precisa ser examinada, e não observada em casa.
Perguntas frequentes
Pterígio é câncer?
Não. É um crescimento de tecido benigno sobre a superfície do olho, ligado à exposição crônica a sol, vento e ressecamento. Ainda assim, qualquer lesão que cresça rápido, mude de cor ou tenha aparência diferente do habitual precisa ser examinada, porque existem outras lesões da conjuntiva que exigem conduta própria.
Qual a diferença entre pinguécula e pterígio?
A pinguécula é um espessamento amarelado que fica na parte branca do olho e não invade a córnea, a parte transparente. O pterígio avança sobre a córnea, e é isso que pode afetar o grau e a nitidez. Muita gente tem pinguécula a vida inteira sem que ela vire pterígio.
Óculos de sol comum protege?
Protege se tiver proteção ultravioleta de verdade, o que não depende de a lente ser escura. Lente escura sem filtro é pior que nenhum óculos, porque dilata a pupila e deixa entrar mais radiação. Modelos maiores ou envolventes protegem mais, porque também barram a luz que entra pelas laterais.
Pterígio volta depois da cirurgia?
Existe risco de recidiva, e ele é maior em pessoas mais jovens e em quem segue muito exposto ao sol e ao vento. A técnica utilizada influencia bastante esse risco. Proteção depois da cirurgia faz parte do tratamento, não é acessório.
Este texto tem finalidade informativa e não substitui consulta, diagnóstico ou orientação médica individualizada. Sintoma em comum não significa causa em comum: só o exame diz o que está acontecendo no seu olho.